O sol da tarde cortava as folhas largas da mata, jogando faixas douradas e movediças sobre o chão de terra batida em frente à casa de Marcos. O ar cheirava a umidade, a madeira queimada de algum fogão a lenha distante e ao doce-amargo das frutas silvestres que caíam maduras dos galhos. Leroy caminhava devagar, os seus pés rangendo levemente a cada passo, os olhos percorrendo as paredes de madeira escura da casa, os objetos espalhados sem muita ordem garrafas vazias, uma rede desfiada pendurada num canto, um isqueiro sobre uma mesa de centro manchada de cerveja seca. Ele tinha vindo sem avisar, como sempre fazia, porque sabia que Marcos não ligava para essas coisas. O primo era assim, vivia no seu próprio ritmo, como se o tempo por ali fosse outro, mais lento, mais quente.

A rede estalou baixo quando Leroy a avistou, balançando preguiçosamente entre dois postes de madeira. Marcos estava deitado de costas, um braço jogado sobre os olhos, a camisa aberta deixando à mostra um peito largo coberto de pelos escuros que desciam em uma linha grossa até desaparecerem dentro da calça jeans desabotoada. O short de banho que usava por cima estava puxado para baixo, revelando a cintura marcada e o início da pelve, onde a sombra dos pelos pubianos começava. Uma garrafa de cachaça meio cheia descansava no chão ao lado, o líquido âmbar refletindo a luz filtrada das árvores. Leroy parou a alguns passos, cruzou os braços e observou a cena com um sorriso torto. Não era a primeira vez que o encontrava assim desleixado, à vontade demais, como se o mundo não pudesse atingi-lo ali.
Oi, Marcos chamou, a voz rouca cortando o zumbido dos insetos. Tá fazendo o quê aí, seu preguiçoso?
Nenhuma resposta. Nem um movimento. Só o balanço lento da rede, como se o vento a empurrasse. Leroy sentiu o calor subir pelo pescoço, aquele tipo de irritação que só Marcos conseguia provocar nele. Ele sabia que o primo ouvira. Sabia que estava só fingindo ignorá-lo, como fazia quando queria provocá-lo. Com um suspiro exasperado, Leroy deu um passo à frente e, sem cerimônia, colocou o pé direito sobre o corpo de Marcos, bem no meio do peito, o seu pe pressionando levemente a pele quente.
Me responde, caralho, disse, a voz mais baixa agora, mas carregada de uma ameaça que ambos conheciam bem. Eu falei com você.
Foi então que Marcos finalmente reagiu. Um riso baixo, gutural, saiu de baixo do braço que ainda cobria seus olhos. A mão desceu devagar, revelando um rosto que, apesar dos anos, ainda guardava traços daqueles verões distantes em que os dois se metiam em encrencas os mesmos olhos castanho-escuros, a mesma cicatriz fina acima da sobrancelha, souvenir de uma briga de bar anos atrás. Só que agora havia mais rugas ao redor da boca, a barba por fazer cinzenta em alguns pontos, e um sorriso que prometia coisas que Leroy não tinha coragem de nomear em voz alta.
Eu adoro quando você fica assim, bravinho, Marcos murmurou, a voz áspera de quem acabara de acordar ou de quem bebera demais. Os dedos dele subiram, envolveram o tornozelo de Leroy e puxaram, desequilibrando-o. Vem cá. Leroy não resistiu. Ou melhor, resistiu, mas só o suficiente para fazer parecer que não estava cedendo de graça. Deu um passo à frente, deixando que o corpo caísse sobre o de Marcos, os joelhos afundando na rede que rangeu sob o peso dos dois.
As coxas dele se abriram instintivamente, acomodando Leroy entre elas, e de repente estavam colados, peito contra peito, a respiração de Leroy acelerando quando sentiu o calor do corpo do primo através da camisa fina. Marcos cheirava a suor, a álcool, a algo terroso e masculino que fez a boca de Leroy secar.
Você não muda nunca, hein? Marcos sussurrou, as mãos subindo pelas costas de Leroy, os dedos pressionando a carne sob a camisa. Sempre metendo o bedelho onde não foi chamado.
Leroy deveria ter respondido com outra provocação, outro empurrão, outra demonstração daquela raiva fingida que os dois usavam como desculpa. Mas não conseguiu. Porque os olhos de Marcos estavam fixos nos seus, e de repente era como se o tempo tivesse voltado atrás, para aquelas noites na casa da praia, quando eram mais novos e mais burros, quando as mãos se perdiam sob os cobertores e ninguém falava sobre o que acontecia de madrugada. A memória o atingiu como um soco no estômago, e antes que pudesse pensar, Leroy inclinou a cabeça e encostou os lábios nos de Marcos.
Não foi um beijo suave. Foi duro, urgente, os dentes batendo, a língua de Leroy forçando passagem entre os lábios do primo, que abriu a boca com um gemido surdo. Marcos sabia a cachaça e a menta devia ter mastigado alguma folha por ali, e Leroy se afogou naquele gosto, as mãos descendo para agarrar os cabelos curtos do homem, puxando-os enquanto a língua explorava cada canto, como se quisesse provar que aquilo não era um sonho. A rede balançava violentamente agora, os corpos se esfregando um no outro, e Leroy sentiu, sem surpresa, a coisa dura e grossa pressionando sua virilha através do tecido da calça.
Porra, Leroy Marcos arfou, quebrando o beijo só o suficiente para murmurar contra os lábios inchados do primo. Você quer me matar?
Leroy não respondeu. Em vez disso, deslizou para baixo, ajoelhando-se entre as pernas abertas de Marcos, as mãos tremulas trabalhando no botão da calça jeans, no zíper que cedeu com um chiado metálico.
O short de banho já estava puxado para baixo, e quando Leroy puxou a calça, a coisa saltou para fora, grossa e vermelha, a cabeça brilhante de pré-gozo, as veias saltadas pulsando sob a pele esticada. Não era a primeira vez que ele via nem a primeira vez que tocava, mas algo naquilo, na maneira como Marcos respirava fundo, os dedos cravados nos cabelos de Leroy, fez seu estômago revirar de desejo.
Isso Marcos rosnou quando Leroy envolveu a base com os dedos, sentindo o peso, a temperatura quase queimando sua palma. Chupa, seu safado.
Não precisava pedir duas vezes. Leroy inclinou a cabeça, a língua saindo para lambuzar a fenda úmida na ponta, recolhendo o gosto salgado e amargo que escorria. Marcos estremeceu, os quadris se levantando da rede em um movimento involuntário, e Leroy sorriu contra a pele quente antes de abrir a boca e engolir a cabeça, os lábios se fechando em torno da glande larga. O gemido que saiu de Marcos foi longo, arrastado, as mãos dele agora guiando a cabeça de Leroy para baixo, pressionando até que o jovem sentisse a ponta tocar o fundo da garganta.
Isso, engole tudo Marcos ordenou, a voz rouca de prazer. Você sabe como eu gosto.
Leroy obedeceu, relaxando a garganta enquanto a coisa grossa deslizava para dentro, as lágrimas ardendo nos cantos dos olhos quando sentiu a ponta bater no limite. As mãos de Marcos não davam trégua, empurrando-o para baixo até que o nariz de Leroy se enterrasse nos pelos úmidos da base, o cheiro forte de homem enchendo suas narinas. Ele engasgou, a saliva escorrendo pelos cantos da boca, mas não recuou. Em vez disso, começou a mover a cabeça, devagar no início, depois mais rápido, os lábios fazendo um som obsceno a cada vez que subiam pela haste, a língua girando em torno da cabeça sensível.
Caralho, Leroy Marcos arfou, os dedos agora cravados com força no couro cabeludo do primo, guiando os movimentos. Você mamava tão bem antes, mas agora… porra, agora você tá me destruindo.
Leroy não conseguiu responder, a boca cheia, a mente turva de desejo. Mas as mãos dele não ficaram paradas. Enquanto chupava, deslizou um dedo entre as próprias pernas, pressionando contra o tecido da calça, onde sua própria ereção latejava, dolorida. Precisava de mais. Precisava de tudo.
Foi então que Marcos o puxou pelos cabelos, arrancando-o da sua boca com um pop úmido.
Chega disse, a voz grossa de necessidade. Agora eu quero fuder esse cuzinho apertado que você tem. Vira pra mim.
Leroy não hesitou. Levantou-se na rede instável, as mãos apoiadas nos ombros de Marcos, e virou de costas, empinando a bunda, as calças já meio abaixadas, expondo as nádegas pálidas e firmes. Ouviu Marcos cuspir, sentiu os dedos úmidos deslizando entre suas nádegas, encontrando o buraco apertado, pressionando sem cerimônia.
Tá seco pra caralho Marcos resmungou, mas não pareceu se importar. Em vez disso, cuspiu novamente, desta vez direto no buraco de Leroy, e então a língua quente e áspera estava ali, lambendo, empurrando, abrindo-o com uma habilidade que fez Leroy gemer alto, as unhas cravando na madeira da rede.
Porra, Marcos arfou, o corpo tremendo quando a língua do primo penetrou fundo, girando, preparando-o de uma maneira que doía e excitava ao mesmo tempo. Para de brincar e me fode logo.
Marcos riu baixo, a vibração fazendo Leroy estremecer.
Tá com pressa, é? perguntou, mas não esperou resposta. Em vez disso, posicionou a cabeça do pau contra a entrada de Leroy, pressionando até que o anel de músculo cedeu, engolindo a ponta larga com um estalo úmido.
Leroy gritou, as costas arqueando, o corpo lutando contra a invasão mesmo enquanto empurrava para trás, querendo mais, querendo tudo. Marcos não teve piedade. Com um movimento rápido dos quadris, empurrou fundo, a coisa grossa deslizando para dentro até que Leroy sentiu as bolas quentes do primo batendo contra suas próprias.
Isso Marcos grunhiu, as mãos agarrando os quadris de Leroy com força, os dedos deixando marcas vermelhas na pele. Toma tudo, seu putinho.
E então começaram a se mover. Não foi suave. Não foi lento. Foi brutal, animal, a rede rangendo e balançando violentamente a cada investida, os corpos batendo um contra o outro com sons molhados, obscenos. Leroy gritava a cada estocada, as palavras se perdendo em gemidos e pragas, enquanto Marcos o fodia sem piedade, o pau entrando e saindo do buraco apertado e quente, a cada vez mais fundo, mais rápido, como se quisesse rasgar Leroy ao meio.
Isso, assim Marcos rosnou, a voz quase irreconhecível. Esse cu foi feito pra minha rola, não foi?
Leroy não conseguiu responder. Só conseguia sentiro calor, a dor boa, a maneira como o pau de Marcos batia naquele ponto dentro dele que fazia estrelas explodirem atrás das pálpebras.
As mãos dele desceram, agarrando seu próprio pau, masturbando-se no mesmo ritmo das estocadas, o corpo todo tensionado, à beira de algo enorme.
Vou gozar aviso Marcos, os dedos cravando com mais força nos quadris de Leroy. Vou encher esse cuzinho de leite, seu veado.
Foi isso que levou Leroy ao limite. Com um grito, seu corpo se contraiu, o esperma jorrando em jatos quentes sobre a rede, as mãos, enquanto ao mesmo tempo sentia Marcos se enterra fundo, as bolas contraindo enquanto o esperma quente enchia seu intestino, marcando-o por dentro. Os dois ficaram assim por um longo momento, ofegantes, suados, os corpos ainda tremendo com os últimos espasmos do orgasmo.
Quando Marcos finalmente se retirou, Leroy sentiu o esperma escorrendo pelas coxas, quente e grosso. Ele não se moveu. Não tinha força. Só ficou ali, deitado de bruços na rede, ouvindo o som da respiração pesada de Marcos, o barulho da cachoeira ao longe, o zumbido dos insetos voltando a preencher o silêncio.
Marcos foi quem quebrou o momento, passando a mão pelas costas suadas de Leroy, os dedos traçando padrões preguiçosos sobre a pele. Ainda bem que você veio murmurou, a voz voltando ao normal, rouca mas calma. Tava na hora de a gente se lembrar do que perdemos.
Leroy não respondeu. Só fechou os olhos e deixou o balanço da rede embalá-lo, sabendo que, por mais que o mundo lá fora exigisse respostas, ali, naquele pedaço de mata, entre o cheiro de suor e esperma, nada mais importava.
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